Recomendado do Mês: Kali Uchis

Recomendado do Mês: Kali Uchis

O Recomendado do Mês de dezembro é uma artista mais famosa do que minhas últimas indicações, mas que ainda merece muito mais reconhecimento: Kali Uchis. A cantora estadunidense de família colombiana tem características musicais inovadoras e extremamente autorais. Aos 26 anos, Uchis já possui três álbuns e diversas colaborações com artistas renomados (como o colombiano Juanes, o rapper Tyler the Creator e o grupo Gorillaz). Devido à essa extensa discografia, este Recomendado traz resenhas específicas apenas das músicas que possuem clipes no canal do YouTube da cantora!

Em 2012, Kali Uchis lançou Drunken Babble, um mixtape que hoje já não está nos canais oficiais da cantora – que não vê a coletânea como ruim, mas sim incompleta, já que ela nunca imaginou o alcance que teria. Em Multi (2012), Uchis estabelece seus vocais sobrepostos e hipnóticos que seriam constantes em grande parte de suas outras músicas, acompanhada de um vídeo com suas amigas em cenários caseiros. What They Say, lançada em 2013, estrela uma jovem Uchis cantando uma letra de rebeldia e romance com uma melodia instrumental marcada. No mesmo ano, Uchis lançou Honey Baby com um clipe que une cenas da periferia de Pereira, na Colômbia e cenas nos EUA. A faixa é interessante porque é a fonte de versos que aparecem futuramente, em canções como Honey Baby (SPOILED), Tyrants e Angel, além de ter três ritmos totalmente diferentes em apenas três minutos.

O primeiro álbum de Uchis, Por Vida, teve grande reconhecimento e foi sua porta de entrada para o mundo profissional da música. Know What I Want mistura reggae com instrumentos sintetizados e uma letra que leva qualquer um ao superar o último namoro dançando. Já Rush tem um clipe que evoca perfeitamente um sentimento de liberdade e juventude da canção e é a primeira vez que Kali Uchis intercala versos em inglês e espanhol em sua discografia. Ridin’ Round é umas das melhores de Uchis, mostrando em sua letra uma pessoa totalmente independente e desapegada com um vídeo gravado em Pereira – cidade da família da cantora – que traz um monólogo que qualquer filho latino já ouviu dos pais alguma vez no início do clipe.

Isolation, o segundo álbum da cantora, foi lançado em 2017 e mostra a diversidade da cantora. Tyrant, um feat com a inglesa Jorja Smith, traz um dos versos mais icônicos da discografia inteira: i disappear like el Chapo (eu desapareço como el Chapo – um dos maiores traficantes de drogas do mundo, que fugiu da prisão e desapareceu por um ano antes de ser recapturado). Novamente, os vocais de Uchis são hipnotizantes e complementam perfeitamente a estrofe de Smith, criando uma faixa extremamente dançante. A canção também foi lançada em espanhol, intitulada ‘Tirano’ (e é tão boa quanto a original). Em Nuestro Planeta, com Reykon, Uchis traz um reggaeton clássico diferente do seu habitual – mostrando a amplitude de artistas americanos com origens latinas, já que a cantora mostra seu talento musical em ambos espanhol e inglês. After the Storm, que conta com participação de Tyler the Creator e Bootsy, é fortemente influenciada por ritmos de R&B – Uchis disse que era um dos gêneros mais comuns na sua casa em sua adolescência. O verso de rap por Tyler the Creator complementa a canção, que traz um clipe com uma estética única e divertida em conjunto com uma letra esperançosa. Get Up, que acabou não entrando no álbum, traz flautas e elementos da bossa nova, com vocais alongados comuns da cantora. O clipe mostra uma Kali Uchis dançarina e misteriosa. Apesar de ser um pouco distante das outras faixas, volta a mostrar a capacidade da cantora de abranger diversos gêneros musicais. Na versão acústica de Dead to Me, Uchis é acompanhada por uma harpa e sons que parecem sinos de vento (mas que são produzidos por um teclado) e se distancia da faixa agitada do álbum. Com um clipe alucinógeno, Just a Stranger traz uma letra sobre uma mulher que está mais na busca do dinheiro do que do amor. O cantor americano Steve Lacy complementa a canção com sua influência de R&B.

Na performance de Loner em 2019, Uchis fala sobre preferir estar sozinha a estar com pessoas negativas do seu passado. Apesar de ser ao vivo, a apresentação seria capaz de ser um clipe oficial, com uma coreografia simples, mas tão profunda quanto os vocais de Uchis. A performance é uma retomada da faixa, originalmente lançada em 2015. O single Solita mostra grande desenvolvimento, tanto na produção do clipe quanto nos seus vocais, novamente abordando temas como a independência amorosa. A faixa tem forte influência do reggaeton, sem perder os vocais sobrepostos tradicionais da cantora. A faixa também interlaça versos em inglês e espanhol, de forma quase imperceptível. Durante a quarentena, Uchis lançou o EP TO FEEL ALIVE, que segundo ela serviu como uma liberação da ansiedade e preocupação gerado pelo isolamento.

Em novembro de 2020, Kali Uchis lançou seu terceiro álbum, Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios), que foge um pouco das suas características pré-estabelecidas e explora mais a origem latina da cantora. aquí yo mando, com Rico Nasty, tem fortes influências do trap e hip hop, com um refrão extremamente divertido e pegajoso, além de um verso de rap por Nasty conduzido perfeitamente ambos em inglês e espanhol. O clipe é uma declaração artística, com figurinos e penteados inusitados. Com um clipe e letra sensual, la luz é uma faixa totalmente em espanhol que reflete a forte influência do reggaeton nos lançamentos de Uchis. O bolero la luna enamorada é cantado com uma voz muito mais grave que o normal de Uchis e é inovador na sua discografia, mas não perde, em nenhum momento, a identidade da cantora. O início falado é o começo perfeito para a canção, trazendo uma atmosfera de intimidade.

Apesar de suas origens colombianas, Uchis tem uma grande base de fãs no Brasil e estava programada para o Lollapalooza de 2020 (que acabou sendo adiado, então ainda não há confirmação de presença da cantora). Kali Uchis é, muitas vezes, fonte de brincadeiras como a página @KaliUchisZL, onde fãs criaram um universo paralelo onde Uchis seria moradora de Itaquera, em São Paulo – se eu não conhecesse a carreira da cantora, até acreditaria.

Assim, com base nestas 16 faixas analisadas, fica claro que Uchis tem um grande talento e versatilidade, podendo cada vez mais se estabelecer no mundo da música (seja ela latina ou não). Uchis já possui duas indicações ao Grammy no seu repertório, e Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios) deve atrair respostas positivas. Também recomendo os diversos singles com participação da cantora, seja o R&B clássico de Get You com Daniel Caesar ou a canção em espanhol El Ratico, com Juanes – ambos receptores de indicação ao Grammy. Qual é sua faixa favorita de Uchis? Não deixe de comentar!

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